Do vento ouço a tua voz
Sinto cá dentro pequenos pedaços
Sei que não são bilhetes nem cartas
nem riscos ou simples traços.
São a imagem de um sopro de palavras
Que agonia em mim semeastes
nesse canto, nesse grito de abraços
Olha!
os dias não são todos iguais
há saudade e há vontade
e aprendo a querer mais
dessa tua forma estranha de liberdade
Porque és pedaço de gente
Onda de mar fora da corrente
És pura semente
Entre gritos, gemidos
choros e ungidos
És campo verde de cor em histórias de dor
Vive... Vive....
Nunca deixes de sonhar…
Só assim terás um segredo por dia para me contar.
quinta-feira, 23 de setembro de 2010
terça-feira, 1 de junho de 2010
sábado, 20 de fevereiro de 2010
quarta-feira, 14 de outubro de 2009
EXISTÊNCIA
EXISTÊNCIA
Existe dentro de um velho menino,
uma louca criança.
Existem dentro de mim mil sentimentos
sorrisos, pensamentos.
O menino que insiste em olhar
para essas ruas vazias de sua
infância e procurar vozes que
há muito não se ouve...
O menino ficou velho sem o tempo
passar e lembra-se dos anos
(aqueles anos!)
onde tudo era tão simples,
placidamente verdadeiro,
e as cadeiras não pareciam
tão abandonadas, a fé removia
montanhas, pais acarinhavam seus
filhos e até avós brincavam com netos.
Tempos onde tudo parecia carnaval, o inverno
demoraria de chegar, o verão era eterno.
Sorrisos duravam horas, abraços eram verdade.
Ah, aqueles anos, aqueles tempos, uma vida que
não escorria pelos dedos, mas existia como flor e
tudo era tão bom, sons silenciosos que alegravam o
mundo.
Estou em silêncio, mas sinto a humanidade
gritar dentro da minha cabeça e lá fora
um pássaro canta, carros passam e eu
sozinho na janela.
O tempo (não) passou, minha cidade
morreu, meu riso escureceu. No breu
dos dias virei nostálgico e saudosista,
que quer ter saudade dos amores do
passado, correr em ruas que nunca
existiram e deitar-se no colo quente
do Amor, esse amor que conta histórias
antes de dormir...
O Amor dormiu e muitas vozes
se calaram, se calaram
(profundamente)
deixando riscos de
luz no céu...
Ouço meus ecos, minhas histórias,
um velho menino que insiste
em ser a criança que nunca
deixou de ser...
Existe dentro de um velho menino,
uma louca criança.
Existem dentro de mim mil sentimentos
sorrisos, pensamentos.
MATHEUS MARQUES
Existe dentro de um velho menino,
uma louca criança.
Existem dentro de mim mil sentimentos
sorrisos, pensamentos.
O menino que insiste em olhar
para essas ruas vazias de sua
infância e procurar vozes que
há muito não se ouve...
O menino ficou velho sem o tempo
passar e lembra-se dos anos
(aqueles anos!)
onde tudo era tão simples,
placidamente verdadeiro,
e as cadeiras não pareciam
tão abandonadas, a fé removia
montanhas, pais acarinhavam seus
filhos e até avós brincavam com netos.
Tempos onde tudo parecia carnaval, o inverno
demoraria de chegar, o verão era eterno.
Sorrisos duravam horas, abraços eram verdade.
Ah, aqueles anos, aqueles tempos, uma vida que
não escorria pelos dedos, mas existia como flor e
tudo era tão bom, sons silenciosos que alegravam o
mundo.
Estou em silêncio, mas sinto a humanidade
gritar dentro da minha cabeça e lá fora
um pássaro canta, carros passam e eu
sozinho na janela.
O tempo (não) passou, minha cidade
morreu, meu riso escureceu. No breu
dos dias virei nostálgico e saudosista,
que quer ter saudade dos amores do
passado, correr em ruas que nunca
existiram e deitar-se no colo quente
do Amor, esse amor que conta histórias
antes de dormir...
O Amor dormiu e muitas vozes
se calaram, se calaram
(profundamente)
deixando riscos de
luz no céu...
Ouço meus ecos, minhas histórias,
um velho menino que insiste
em ser a criança que nunca
deixou de ser...
Existe dentro de um velho menino,
uma louca criança.
Existem dentro de mim mil sentimentos
sorrisos, pensamentos.
MATHEUS MARQUES
sábado, 19 de setembro de 2009
quinta-feira, 21 de maio de 2009
फेलिज़ ANIVERSÁRIO
Feliz Aniversário...
Uma das grandes bênçãos da vida é a experiência que os anos vividos nos concedem.
Aniversariar é uma amostra das oportunidades que temos de aprender a contar os nossos dias.
Hoje, mais um a janela se abre diante de seus olhos, mais um espinho foi retirado da flor, restando apenas a beleza de tão bela data.
Os sintomas da felicidade se traduzem do otimismo, na fé, na esperança tenho empenho por se ser melhor a cada dia.
Continue firme pelos caminhos da virilidade e suas verdades.
Continue trilhando pelos vales da vida, pois um dia encontrarás o mais belo jardim, o jardim que representará a realização de seus maiores sonhos.
Que Deus te ilumine, todos os dias de sua vida.
Feliz Aniversário!
VÓ, MEUS PARABÉNS! MUITA SAÚDE, ALEGRIA, PAZ E FELICIDADE.
TE AMO, BEIJOS!
Uma das grandes bênçãos da vida é a experiência que os anos vividos nos concedem.
Aniversariar é uma amostra das oportunidades que temos de aprender a contar os nossos dias.
Hoje, mais um a janela se abre diante de seus olhos, mais um espinho foi retirado da flor, restando apenas a beleza de tão bela data.
Os sintomas da felicidade se traduzem do otimismo, na fé, na esperança tenho empenho por se ser melhor a cada dia.
Continue firme pelos caminhos da virilidade e suas verdades.
Continue trilhando pelos vales da vida, pois um dia encontrarás o mais belo jardim, o jardim que representará a realização de seus maiores sonhos.
Que Deus te ilumine, todos os dias de sua vida.
Feliz Aniversário!
VÓ, MEUS PARABÉNS! MUITA SAÚDE, ALEGRIA, PAZ E FELICIDADE.
TE AMO, BEIJOS!
A ARTE DE SER AVÓ -RACHEL DE QUEIROZ
A arte de ser avó
Quarenta anos, quarenta e cinco. Você sente, obscuramente, nos seus ossos, que o tempo passou mais depressa do que esperava. Não lhe incomoda envelhecer, é claro. A velhice tem suas alegrias, as sua compensações - todos dizem isso, embora você pessoalmente, ainda não as tenha descoberto - mas acredita.
Todavia, também obscuramente, também sentida nos seus ossos, às vezes lhe dá aquela nostalgia da mocidade.
Não de amores nem de paixão; a doçura da meia-idade não lhe exige essas efervescências. A saudade é de alguma coisa que você tinha e lhe fugiu sutilmente junto com a mocidade. Bracinhos de criança no seu pescoço. Choro de criança. O tumulto da presença infantil ao seu redor. Meu Deus, para onde foram as suas crianças? Naqueles adultos cheios de problemas, que hoje são seus filhos, que têm sogro e sogra, cônjuge, emprego, apartamento e prestações, você não encontra de modo algum as suas crianças perdidas. São homens e mulheres - não são mais aqueles que você recorda.
E então, um belo dia, sem que lhe fosse imposta nenhuma das agonias da gestação ou do parto, o doutor lhe põe nos braços um menino. Completamente grátis - nisso é que está a maravilha. Sem dores, sem choro, aquela criancinha da sua raça, da qual você morria de saudades, símbolo ou penhor da mocidade perdida. Pois aquela criancinha, longe de ser um estranho, é um menino que se lhe é "devolvido". E o espantoso é que todos lhe reconhecem o seu direito sobre ele, ou pelo menos o seu direito de o amar com extravagância; ao contrário, causaria escândalo ou decepção, se você não o acolhesse imediatamente com todo aquele amor que há anos se acumulava, desdenhado, no seu coração.
Sim, tenho a certeza de que a vida nos dá os netos para nos compensar de todas as mutilações trazidas pela velhice. São amores novos, profundos e felizes, que vêm ocupar aquele lugar vazio, nostálgico, deixado pelos arroubos juvenis.
Aliás, desconfio muito de que netos são melhores que namorados, pois que as violências da mocidade produzem mais lágrimas do que enlevos. Se o Doutor Fausto fosse avô, trocaria calmamente dez Margaridas por um neto...
No entanto! Nem tudo são flores no caminho da avó. Há, acima de tudo, o entrave maior, a grande rival: a mãe. Não importa que ela, em si, seja sua filha. Não deixa por isso de ser a mãe do neto. Não importa que ela hipocritamente, ensine a criança a lhe dar beijos e a lhe chamar de "vovozinha" e lhe conte que de noite, às vezes, ele de repente acorda e pergunta por você. São lisonjas, nada mais. No fundo ela é rival mesmo. Rigorosamente, nas suas posições respectivas, a mãe e a avó representam, em relação ao neto, papéis muito semelhantes ao da esposa e da amante nos triângulos conjugais. A mãe tem todas as vantagens da domesticidade e da presença constante. Dorme com ele, dá-lhe banho, veste-o, embala-o de noite. Contra si tem a fadiga da rotina, a obrigação de educar e o ônus de castigar.
Já a avó não tem direitos legais, mas oferece a sedução do romance e do imprevisto. Mora em outra casa. Traz presentes. Faz coisas não programadas. Leva a passear, "não ralha nunca". Deixa lambuzar de pirulito. Não tem a menor pretensão pedagógica. É a confidente das horas de ressentimento, o último recurso dos momentos de opressão, a secreta aliada nas crises de rebeldia. Uma noite passada em sua casa é uma deliciosa fuga à rotina, tem todos os encantos de uma aventura. Lá não há linha divisória entre o proibido e o permitido, antes uma maravilhosa subversão da disciplina. Dormir sem lavar as mãos, recusar a sopa e comer croquetes, tomar café, mexer na louça, fazer trem com as cadeiras na sala, destruir revistas, derramar água no gato, acender e apagar a luz elétrica mil vezes se quiser - e até fingir que está discando o telefone. Riscar a parede com lápis dizendo que foi sem querer - e ser acreditado!
Fazer má-criação aos gritos e em vez de apanhar ir para os braços do avô, e lá escutar os debates sobre os perigos e os erros da educação moderna...
Sabe-se que, no reino dos céus, o cristão defunto desfruta os mais requintados prazeres da alma. Porém não estarão muito acima da alegria de sair de mãos dadas com o seu neto, numa manhã de sol. E olhe que aqui embaixo você ainda tem o direito de sentir orgulho, que aos bem-aventurados será defeso. Meu Deus, o olhar das outras avós com seus filhotes magricelas ou obesos, a morrerem de inveja do seu maravilhoso neto!
E quando você vai embalar o neto e ele, tonto de sono, abre um olho, lhe reconhece, sorri e diz "Vó", seu coração estala de felicidade, como pão ao forno.
E o misterioso entendimento que há entre avó e neto, na hora em que a mãe castiga, e ele olha para você, sabendo que, se você não ousa intervir abertamente, pelo menos lhe dá sua incondicional cumplicidade.
Até as coisas negativas se viram em alegrias quando se intrometem entre avó e neto: o bibelô de estimação que se quebrou porque o menino - involuntariamente! - bateu com a bola nele. Está quebrado e remendado, mas enriquecido com preciosas recordações: os cacos na mãozinha, os olhos arregalados, o beicinho pronto para o choro; e depois o sorriso malandro e aliviado porque "ninguém" se zangou, o culpado foi a bola mesma, não foi, vó? Era um simples boneco que custou caro. Hoje é relíquia: não tem dinheiro que pague.
Rachel de Queiroz
Quarenta anos, quarenta e cinco. Você sente, obscuramente, nos seus ossos, que o tempo passou mais depressa do que esperava. Não lhe incomoda envelhecer, é claro. A velhice tem suas alegrias, as sua compensações - todos dizem isso, embora você pessoalmente, ainda não as tenha descoberto - mas acredita.
Todavia, também obscuramente, também sentida nos seus ossos, às vezes lhe dá aquela nostalgia da mocidade.
Não de amores nem de paixão; a doçura da meia-idade não lhe exige essas efervescências. A saudade é de alguma coisa que você tinha e lhe fugiu sutilmente junto com a mocidade. Bracinhos de criança no seu pescoço. Choro de criança. O tumulto da presença infantil ao seu redor. Meu Deus, para onde foram as suas crianças? Naqueles adultos cheios de problemas, que hoje são seus filhos, que têm sogro e sogra, cônjuge, emprego, apartamento e prestações, você não encontra de modo algum as suas crianças perdidas. São homens e mulheres - não são mais aqueles que você recorda.
E então, um belo dia, sem que lhe fosse imposta nenhuma das agonias da gestação ou do parto, o doutor lhe põe nos braços um menino. Completamente grátis - nisso é que está a maravilha. Sem dores, sem choro, aquela criancinha da sua raça, da qual você morria de saudades, símbolo ou penhor da mocidade perdida. Pois aquela criancinha, longe de ser um estranho, é um menino que se lhe é "devolvido". E o espantoso é que todos lhe reconhecem o seu direito sobre ele, ou pelo menos o seu direito de o amar com extravagância; ao contrário, causaria escândalo ou decepção, se você não o acolhesse imediatamente com todo aquele amor que há anos se acumulava, desdenhado, no seu coração.
Sim, tenho a certeza de que a vida nos dá os netos para nos compensar de todas as mutilações trazidas pela velhice. São amores novos, profundos e felizes, que vêm ocupar aquele lugar vazio, nostálgico, deixado pelos arroubos juvenis.
Aliás, desconfio muito de que netos são melhores que namorados, pois que as violências da mocidade produzem mais lágrimas do que enlevos. Se o Doutor Fausto fosse avô, trocaria calmamente dez Margaridas por um neto...
No entanto! Nem tudo são flores no caminho da avó. Há, acima de tudo, o entrave maior, a grande rival: a mãe. Não importa que ela, em si, seja sua filha. Não deixa por isso de ser a mãe do neto. Não importa que ela hipocritamente, ensine a criança a lhe dar beijos e a lhe chamar de "vovozinha" e lhe conte que de noite, às vezes, ele de repente acorda e pergunta por você. São lisonjas, nada mais. No fundo ela é rival mesmo. Rigorosamente, nas suas posições respectivas, a mãe e a avó representam, em relação ao neto, papéis muito semelhantes ao da esposa e da amante nos triângulos conjugais. A mãe tem todas as vantagens da domesticidade e da presença constante. Dorme com ele, dá-lhe banho, veste-o, embala-o de noite. Contra si tem a fadiga da rotina, a obrigação de educar e o ônus de castigar.
Já a avó não tem direitos legais, mas oferece a sedução do romance e do imprevisto. Mora em outra casa. Traz presentes. Faz coisas não programadas. Leva a passear, "não ralha nunca". Deixa lambuzar de pirulito. Não tem a menor pretensão pedagógica. É a confidente das horas de ressentimento, o último recurso dos momentos de opressão, a secreta aliada nas crises de rebeldia. Uma noite passada em sua casa é uma deliciosa fuga à rotina, tem todos os encantos de uma aventura. Lá não há linha divisória entre o proibido e o permitido, antes uma maravilhosa subversão da disciplina. Dormir sem lavar as mãos, recusar a sopa e comer croquetes, tomar café, mexer na louça, fazer trem com as cadeiras na sala, destruir revistas, derramar água no gato, acender e apagar a luz elétrica mil vezes se quiser - e até fingir que está discando o telefone. Riscar a parede com lápis dizendo que foi sem querer - e ser acreditado!
Fazer má-criação aos gritos e em vez de apanhar ir para os braços do avô, e lá escutar os debates sobre os perigos e os erros da educação moderna...
Sabe-se que, no reino dos céus, o cristão defunto desfruta os mais requintados prazeres da alma. Porém não estarão muito acima da alegria de sair de mãos dadas com o seu neto, numa manhã de sol. E olhe que aqui embaixo você ainda tem o direito de sentir orgulho, que aos bem-aventurados será defeso. Meu Deus, o olhar das outras avós com seus filhotes magricelas ou obesos, a morrerem de inveja do seu maravilhoso neto!
E quando você vai embalar o neto e ele, tonto de sono, abre um olho, lhe reconhece, sorri e diz "Vó", seu coração estala de felicidade, como pão ao forno.
E o misterioso entendimento que há entre avó e neto, na hora em que a mãe castiga, e ele olha para você, sabendo que, se você não ousa intervir abertamente, pelo menos lhe dá sua incondicional cumplicidade.
Até as coisas negativas se viram em alegrias quando se intrometem entre avó e neto: o bibelô de estimação que se quebrou porque o menino - involuntariamente! - bateu com a bola nele. Está quebrado e remendado, mas enriquecido com preciosas recordações: os cacos na mãozinha, os olhos arregalados, o beicinho pronto para o choro; e depois o sorriso malandro e aliviado porque "ninguém" se zangou, o culpado foi a bola mesma, não foi, vó? Era um simples boneco que custou caro. Hoje é relíquia: não tem dinheiro que pague.
Rachel de Queiroz
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